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Será o ensino de línguas a forma de fazer um sistema educativo melhor?

Será o ensino de línguas a forma de fazer um sistema educativo melhor?Especialistas internacionais defendem que aprender idiomas estrangeiros faz dos alunos melhores e pode ser uma ferramenta potenciadora da equidade. Portugal ainda está longe dos lugares cimeiros nos rankings de proficiência linguística.

16. 4. 2015

“Quem aprende línguas estrangeiras, terá um cérebro preparado para aprender qualquer outra coisa”. A ideia é de Pasi Sahlberg, um dos protagonistas da política educativa que fez das escolas da Finlândia um exemplo internacional, que garante que o relevo dado ao ensino dos idiomas foi um dos motivos do sucesso do país nórdico. Tal como este especialista, outros investigadores internacionais estão a apontar no mesmo sentido: a aposta nas línguas pode fazer melhores alunos e ser uma ferramenta potenciadora da equidade.

O sistema de ensino na Finlândia é bilingue – há oferta em finlandês e em sueco –, sendo o segundo idioma doméstico introduzido no sétimo ano. Antes disso, no terceiro ano de escolaridade, começam as aulas do primeiro idioma estrangeiro, sendo que a oferta pública no país tem cinco línguas diferentes (inglês, alemão, francês, russo e espanhol). “Acreditamos que é muito importante para conhecer o mundo e suas diferentes linguagens e culturas desde muito cedo”, justifica Sahlberg, para quem a prioridade na aprendizagem de línguas é também uma forma de desenvolver competências transversais e criar “melhores estudantes”.

Uma ideia semelhante foi também explorada no mesmo Fórum por Paola Ucelli, professora associada em Harvard, que coordena um grupo de investigação em Aprendizagem de Línguas naquela universidade. O seu trabalho mais recente centra-se nas diferenças individuais entre alunos no que diz respeito ao seu desenvolvimento em termos de linguagem escrita e oral e a sua associação à compreensão, comunicação e desempenho escolar. A investigadora concluiu que a “a proficiência linguística é um factor-chave de equidade num sistema educativo”, capaz de reduzir distâncias nos resultados entre alunos de contexto socio-económicos distintos.

Os relatórios internacionais têm recorrentemente chamado a atenção para o fraco desempenho do sistema de ensino português no que toca a esbater as assimetrias sociais. E, quando olhamos para o indicador de proficiência linguística dos estudantes portugueses em inglês – comummente usado como o idioma de referência a nível internacional – os resultados recentes não são os mais animadores. Ao contrário do que acontece com a Língua Materna, a Matemática ou as Ciências, a OCDE não testa e compara os conhecimentos dos estudantes a nível internacional em línguas estrangeiras. Mas há outras ferramentas.

A Education First divide os países em cinco grupos. Portugal aparece colocado em proficiência moderada, o terceiro nível, e é um dos últimos países europeus – Eslováquia, Itália e França têm pior performance –, embora à frente de países como a Índia e Hong Kong, que têm o inglês como língua oficial, ou da Coreia do Sul, que tem um dos melhores sistemas de educação do mundo. Globalmente, o ranking é liderado pela Dinamarca. Os primeiros lugares são dominados pelos países escandinavos (Suécia, Finlândia e Noruega ocupam, respectivamente, o terceiro a quinto lugares). Pelo meio, surge a Holanda.

Fonte: publico.pt

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