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Que nota dás à tua infância?

Que nota dás à tua infância?A avaliação está intricada no ensino, mas esta relação íntima em nada se confunde com o minicircuito a que tudo se quer reduzir – aluno – exame – nota – ranking – sucesso na vida.

25. 3. 2015

A excessiva cultura da nota atualmente envolve todos os níveis de ensino e manifesta-se nas crianças e nas famílias com maior ou menor disfunção e por vezes com sofrimento.

A excessiva cultura da “nota” (a avaliação sumativa) tem um impacto negativo, em oposição à avaliação formativa, nas crianças, nos pais, nas famílias, nos professores, na escola, na aprendizagem e na saúde...

A cultura da nota, que é vigente e incentivada por muitas práticas recentemente instituídas como os exames nacionais no ensino básico, não é suportada por nenhuma evidência das ciências (medicina, psicologia, neurociências, sociologia, pedagogia…), mas um mero 'achado arqueológico', agora recuperado e em voga.

A história da educação e do conhecimento dificilmente se separa da história da avaliação. E a educação e a avaliação mantêm, na História, uma relação muito próxima aos ciclos políticos e económicos.

Nada de novo, afinal, nos últimos milénios. Houvesse imprensa, este texto poderia ser redigido há milhares de anos, quando, na China, se construiu um sistema complexo de ensino para preparação para exames determinantes para a entrada na academia imperial de Pequim, de jovens oriundos dos recônditos lugares, que assim acediam primeiro a escolas nas capitais de distrito, condados, províncias e finalmente Pequim. O processo é milenar e sabemos até a matriz das provas, que cito: saber números e função, os três grandes poderes, as quatro estações, seis espécies de cereais, seis classes de animais domésticos, nove graus de parentesco, dez deveres relativos a sucessão dinástica. Aqui, como na Índia Antiga, a aprendizagem desejada era a imitação exata do saber instruído pelo mestre.

 

Ainda são estes os modelos que queremos?

A avaliação está intricada no ensino, mas esta relação íntima em nada se confunde com o minicircuito a que tudo se quer reduzir – aluno – exame – nota – ranking – sucesso na vida. Não poderá haver maior equívoco que esta leitura simplista da escola.

Nos primeiros ciclos do ensino básico, anos tão verdes da infância, não estará a avaliação formativa mais vocacionada para o essencial, que é contribuir para a aprendizagem de cada criança?

A avaliação formativa, a que compreende a individualidade de cada aluno, é sempre muito mais exigente para a escola. Não é o facilitismo, poucos testes, pouco trabalho, escola fácil, vida adulta difícil... pelo contrário, exige muito da relação de confiança que se estabelece, a aceitação de que há avanços e recuos, de que se erra, de que se ensaia, de que necessitamos que nos ajudem a identificar erros e a ultrapassá-los – que a escola nos regula e responde de volta. Que o professor esteja atento, que avalie obviamente com o instrumento que seja pertinente, para que possa ensinar melhor e para que o seu aluno possa aprender melhor e ir mais além.

Fonte: publico.pt

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